Uma visita a qualquer seção de auto-ajuda em qualquer livraria da Terra demonstra cabalmente o fato de que sim, precisamos urgentemente de ajuda. Só um quadro psicológico patológico coletivo, de mau prognóstico, pode explicar as vendas estratosféricas de determinadas obras. Esta ajuda da qual necessitamos, porém, dificilmente, será obtida da leitura de pérolas como as que relacionam cultura oriental com estratégias corporativas. Ou pior: a crescente cepa que utiliza a figura de Jesus, Buda e outros de modo a buscar inspiração em seus modos de vida para sermos melhores nas tarefas menos – digamos assim – “espirituais” da vida moderna. É possível resumir toda este pseudo-literatura em uma dúzia ou menos de obviedades empíricas que na realidade todos nós sabemos mas nunca – ou na maior parte do tempo – realmente levamos da teoria para os fatos da vida diária. São verdadeiros axiomas da condição humana como, por exemplo, “persevere em seus objetivos”, “estabeleça metas”, “pense positivo”, etc... O fato de consumirmos livros, palestras e demais mídias com material que apresentam estas idéias, tão velhas quanto a humanidade, em embalagens das mais diversas (mexer em queijos, ser monge, ser samurai, ser Jesus) pode ser bem sintomático: os assuntos mais tratados neste filão são sempre amor e sexo (homens são isso, mulheres são aquilo...) e dinheiro.
A conversão da leitura – um habito intelectual – em direção a focar em desejos tão básicos condiz com a atual visão do homem como um ente biológico bem ao gosto do darwinismo social. Até mesmo nas trevas mais densas da idade média, surgiam obras literárias e tratados de uma profundidade hoje praticamente ausente. A superficialidade da literatura atual assusta pelo fato de que compõe com demais setores da atividade humana um desinteresse em evolução, em prosseguir na grande aventura da construção do conhecimento humano. A infantilização das massas é uma estratégia perfeita para impedir a formação de senso crítico, mas mais importante ainda, para impedir a troca de experiências reais.
domingo, 21 de março de 2010
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
A torre da derrota
Em outubro de 2006, publiquei de forma independente, um livro de poesias (por favor, não ria; bem, pode rir, mas não gargalhe). Era A Torre da Derrota. Eis algumas poesias (?!) que não entraram no livro (espécie de "sobras de estúdio", talvez?):
SÍNDROME DE BORDER LINE
Cuidado com as linhas, com as fronteiras intangíveis;
Um passo em falso e você esquecerá de onde veio.
Hoje é só mais um dia daqueles...
Em que eu me sinto um outro, um alienígena.
Olho para a frente e só vejo neblina espessa.
Olho para trás e a trilha de rastros se apagou...
E agora? Será que já ultrapassei a zona de risco?
Eu não sei, eu não consigo me localizar...
O pior não é esta sensação de estar terrivelmente atrasado.
O ruim não é sentir como se tivesse perdido a melhor parte.
Mas sim, é a incerteza de saber qual lado é o mais correto
E não ter convicção de qual cenário é falso, o de lá ou o de cá...
Toda lucidez em excesso conduz à insanidade.
Toda insanidade insuficiente produz novos robôs de sangue quente...
Não há escape quando um passado que não é o seu vem buscá-lo.
E então você atinge a borda do precipício...
E caminha para a frente, achando que está recuando...
E ri de si mesmo, mas na verdade está chorando...
E pensa que é o mais lúcido, mas na verdade é o mais doente...
E mesmo assim vence, apesar do abismo proclamar vitória.
SÍNDROME DE BORDER LINE
Cuidado com as linhas, com as fronteiras intangíveis;
Um passo em falso e você esquecerá de onde veio.
Hoje é só mais um dia daqueles...
Em que eu me sinto um outro, um alienígena.
Olho para a frente e só vejo neblina espessa.
Olho para trás e a trilha de rastros se apagou...
E agora? Será que já ultrapassei a zona de risco?
Eu não sei, eu não consigo me localizar...
O pior não é esta sensação de estar terrivelmente atrasado.
O ruim não é sentir como se tivesse perdido a melhor parte.
Mas sim, é a incerteza de saber qual lado é o mais correto
E não ter convicção de qual cenário é falso, o de lá ou o de cá...
Toda lucidez em excesso conduz à insanidade.
Toda insanidade insuficiente produz novos robôs de sangue quente...
Não há escape quando um passado que não é o seu vem buscá-lo.
E então você atinge a borda do precipício...
E caminha para a frente, achando que está recuando...
E ri de si mesmo, mas na verdade está chorando...
E pensa que é o mais lúcido, mas na verdade é o mais doente...
E mesmo assim vence, apesar do abismo proclamar vitória.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Enquanto em isso, na Espanha...
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Um ano depois...

Pois é... Quase um ano que não posto nada por aqui. A verdade é que nunca aprendi a ser um blogueiro decente, pelo menos razoável; mas uma de minhas propostas para 2008 é retomar esta tentativa e buscar ser um pouco mais "sociável" em termos de blog, já que não tenho link para ninguém e ninguém tem link para mim... Mas o mundo está mudando: o tio Fidel renunciou, Barak Obama pode ser o próximo presidente do mundo, então é até possível que ainda haja esperança para que eu também mude. Para não ficar só falando asneira, uma dica para quem gosta de contra-cultura e agitprop: o livro "Provos" da editora Conrad, que conta a história do maior grupo anarquista da Holanda, os criadores da famosa - pelo menos nos círculos que eu frequento(ava) - Bicicleta Branca, que era um projeto de.... ah, dá uma conferida no livro ou, no mínimo, na Wikipédia!!
domingo, 11 de março de 2007
Winston Smith


Apresento aqui alguma coisa da obra de Winston Smith, o cara que criou a maioria das capas dos discos dos Dead Kennedys. Mas sua obra mais popularizada, digamos assim, é a capa do CD "Insomniac" do Green Day. Smith usa colagens de antigos anúncios publicados em revistas norte-americanas da década de 50 e 60 para fazer uma profunda crítica à hipocrisia da sociedade estado-unidense. Seu codinome artístico é derivado do personagem principal do livro "1984", de George Orwell, que descreve uma visão sombria de um mundo totalitário, e que pode ser uma alegoria tanto de uma tirania de esquerda como uma ditadura de direita...
segunda-feira, 5 de março de 2007
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Maldito planeta Vênus!
Quênia. Janeiro de 2006. Uma estiagem desoladora e atípica que já se arrasta mortalmente pelo país há inacreditáveis dois anos, vem causando cerca de trinta mortes diárias por fome e inanição. As imagens são perturbadoras e vergonhosas; arrasam qualquer pretensão de festejar o ser humano e sua idolatrada civilização moderna: crianças raquíticas agonizando, conectadas ao mundo por um tênue trapo de vida. Estão ofegantes, respirando como peixes fora d’água respiram quando desistem de se debater. Desidratadas, famélicas, o sistema imunológico em colapso. Tudo arrasta as pobres criaturas para seu fim, sob o olhar já incapaz até de derramar lágrimas de mães e pais, que parecem mais sombras do que gente, tombados pela impotência ante a catástrofe e pela mais absoluta desesperança. Por todo o Quênia, um caleidoscópio macabro de poços secos, de crianças-zumbis, de carcaças mumificadas de animais espalhados por campos mais secos que a lua.
Austrália. Janeiro de 2006. Encabeçadas pelos EUA, corporações privadas e órgãos governamentais da Austrália, China, Coréia do Sul, Índia e Japão promovem a Cúpula Ásia-Pacífico de Mudanças Climáticas. O que é comum a todos os participantes? São nações que se recusaram a aderir ao Protocolo de Kyoto - com exceção do Japão. Juntos, respondem por 48% dos gases poluentes jogados à atmosfera. Juntos, buscam construir um álibi que lhes permita – mais uma vez – enganar a população mundial, ao propor medidas inócuas e paliativas em substituição às metas de redução de emissão de gases proposta em Kyoto. O próprio Protocolo de Kyoto vem sendo insuficiente, dada a velocidade e a intensidade com que as alterações climáticas causadas pelo efeito estufa vem apresentando.
“Supostamente causadas pelo efeito estufa” diria, talvez, o Tio Sam. Já surgiram inúmeros cientistas e pesquisadores (especialmente norte-americanos) que declaram que a temporada inédita de ciclones e catástrofes similares pode ser fruto do “trânsito de Vênus à frente do Sol”.
As corporações que controlam as pessoas que hoje controlam o governo dos Estados Unidos e outros países, seguidamente financiam brilhantes trabalhos científicos que buscam minimizar ou até mesmo negar a realidade sentida no dia a dia das profundas mudanças climáticas que o planeta vem sofrendo. A lógica destes grupos é bem simples: para que houvesse uma redução de emissão de poluentes que realmente tivesse impacto para frear o efeito estufa e a degradação da camada de ozônio, eles precisariam implementar mudanças que, dadas as possibilidades tecnológicas atuais, significariam uma queda brusca nos seus rendimentos, pelo óbvio aumento dos custos de produção. E isso é algo que a elite financeira mundial não pode aceitar jamais.
Isso lembra um pouco aquele velho clichê do cinema hollywoodiano: o sujeito que, mesmo vendo que a caverna vai desabar, volta lá dentro para carregar toda parte do tesouro que puder e assim morre soterrado abraçado ao ouro.
Talvez um dos participantes da cúpula possa, quando estiver retornando para Washington, fazer uma pequena escala em Nairóbi, ao menos para explicar para o pessoal que o culpado de tudo pode ser Vênus, Saturno ou quem sabe a constelação das Plêiades. Tenho certeza de que os quenianos entenderiam.
Austrália. Janeiro de 2006. Encabeçadas pelos EUA, corporações privadas e órgãos governamentais da Austrália, China, Coréia do Sul, Índia e Japão promovem a Cúpula Ásia-Pacífico de Mudanças Climáticas. O que é comum a todos os participantes? São nações que se recusaram a aderir ao Protocolo de Kyoto - com exceção do Japão. Juntos, respondem por 48% dos gases poluentes jogados à atmosfera. Juntos, buscam construir um álibi que lhes permita – mais uma vez – enganar a população mundial, ao propor medidas inócuas e paliativas em substituição às metas de redução de emissão de gases proposta em Kyoto. O próprio Protocolo de Kyoto vem sendo insuficiente, dada a velocidade e a intensidade com que as alterações climáticas causadas pelo efeito estufa vem apresentando.
“Supostamente causadas pelo efeito estufa” diria, talvez, o Tio Sam. Já surgiram inúmeros cientistas e pesquisadores (especialmente norte-americanos) que declaram que a temporada inédita de ciclones e catástrofes similares pode ser fruto do “trânsito de Vênus à frente do Sol”.
As corporações que controlam as pessoas que hoje controlam o governo dos Estados Unidos e outros países, seguidamente financiam brilhantes trabalhos científicos que buscam minimizar ou até mesmo negar a realidade sentida no dia a dia das profundas mudanças climáticas que o planeta vem sofrendo. A lógica destes grupos é bem simples: para que houvesse uma redução de emissão de poluentes que realmente tivesse impacto para frear o efeito estufa e a degradação da camada de ozônio, eles precisariam implementar mudanças que, dadas as possibilidades tecnológicas atuais, significariam uma queda brusca nos seus rendimentos, pelo óbvio aumento dos custos de produção. E isso é algo que a elite financeira mundial não pode aceitar jamais.
Isso lembra um pouco aquele velho clichê do cinema hollywoodiano: o sujeito que, mesmo vendo que a caverna vai desabar, volta lá dentro para carregar toda parte do tesouro que puder e assim morre soterrado abraçado ao ouro.
Talvez um dos participantes da cúpula possa, quando estiver retornando para Washington, fazer uma pequena escala em Nairóbi, ao menos para explicar para o pessoal que o culpado de tudo pode ser Vênus, Saturno ou quem sabe a constelação das Plêiades. Tenho certeza de que os quenianos entenderiam.
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